“Não fale com estranhos!”

E qual boa matriarca nunca avisou isso carinhosamente para sua preciosa prole? E aí, na dúvida entre o estranho e o normal, a criança não perguntou e teve sua reposta: “Qualquer um que seja diferente de você!”. E por quê? Por que não se deve falar com aqueles que são diferentes? “Coisas ruins acontecem quando você fala com estranhos! Eles podem te machucar!”. É plantada ai a sementinha do preconceito. Afinal, se todos aqueles que são diferentes dos nossos aspectos de normalidade podem nos trazer mal, o jeito é afastá-los pra que não possam nos “contaminar” com nossa estranheza e nos fazer maldades. Crescem então as crianças, sob o zeloso olhar da protetora mãe. Conselhos são dados, figuras “estranhas” são apontadas na rua, críticas e zombarias são feitas. Pronto, agora além de seres perigosos, eles são inferiores, dignos de riso e más interpretações. Apenas aqueles que estão dentro de casa são respeitáveis e bons de alma, a má influência do contato com aquele estranho pode ruir a estrutura criada dentro de família e levar os pequenos rebentos para o mau caminho. Ter pensamentos diferentes, se vestir diferente e comer coisas diferentes… Onde já se viu? 

Ok, mamãe, não vamos falar com os estranhos! Fecharemos nossas sociedades e controlaremos minuciosamente todos aqueles que ultrapassam as nossas fronteiras. Alegaremos tudo isso como proteção! Proteção do território, da economia, dos costumes… Por que não para preservar nosso passado? Ora, tão glorioso! Por que haveríamos de manchar nossa bela cultura com a mistura da cultura dos outros? Ok, válido. Válido até o ponto no qual essa proteção se torna preconceito. 

Nada contra você proteger sua cultura, sua economia e seu território, realmente, é um sentimento justo. Você nasceu e cresceu lá. Seus antepassados criaram tudo aquilo que você vê e aprende hoje, é um sentimento bonito… Até que ele se torne preconceito! É uma linha muito fina, a do sentimento nacionalista e protecionista com o sentimento de xenofobia. Ninguém é obrigado a se misturar, mas todos somos iguais, logo, temos que aceitar as diferenças. Respeito. Essa é a palavra principal, ninguém é obrigado a conhecer e gostar de coisas que fujam do seu normal, mas somos sim obrigados a aceitá-las, não importa se soe errado para você. Do mesmo jeito que te foi ensinado de uma maneira quando criança, foi ensinado para outra criança de maneira diferente.

Mas… Xenófobo? Eu e minhas leis? Claro que não! Nós decidimos proibir o véu islâmico apenas por uma questão de segurança nacional! Não é preconceito, nós só achamos perigoso e, quem sabe, esteticamente inaceitável em nosso belíssimo país o ato de cobrir rosto em sinal de respeito a sua cultura e religião. 

Xenófobo? Eu caçoar de uma mulher completamente coberta, apenas com os olhos aparecendo e com o corpo escondido? Ela está sendo oprimida, coitada! Não é igual as nossas freiras, que usam seus hábitos por sinal de respeito a Deus. 

Xenófobos? Nós? Mas foi só uma propagandinha mostrando que nossos povos são superiores! Oras, não fomos nós que dominamos e civilizamos essas pobres criaturinhas? A economia deles cresceu e se desenvolveu apenas por que nós permitimos… O que há de errado em nos sentirmos ameaçados, só porque é o poder econômico deles que vai nos tirar de uma terrível crise e são eles que estão crescendo no cenário atual? Nós -ainda- somos superiores!

Ah sim, mas não tem problema nenhum você visitar o nosso país nas suas férias de verão, inverno ou mandar seus filhos para estudar aqui no nosso país. Você, sua família e seu dinheiro são bem vindos.

Xenófobo? Eu falar mal e querer expulsar haitianos, peruanos e bolivianos do meu país? Não, eu não sou! Afinal, eles vieram apenas para roubar nossos empregos e aumentar o nível de pobreza nas cidades. Aquele alemão charmoso que veio todo estudadinho trabalhar em uma grande empresa no centro comercial do país é mais do que bem vindo, afinal, ele veio de um país de primeiro mundo! Ele é mais inteligente e apto ao emprego do que nós ou nossos novos estrangeiros! Enfim, não é como se minhas origens viessem de uma mistura louca de europeus, negros e índios, e nem como se eu comesse arroz, feijão, mandioca frita e um bifão no almoço, mas nunca sem antes mandar uns sushis caprichados de entradinha e finalizar a refeição com uma mousse de chocolate! Minha cultura é única.

Sim, unicamente misturada com todas as outras.

E por que não falar no american way of life? Tão difundido no planeta… Tão preconceituoso quanto qualquer um dos citados acima. E no status no qual eles se colocam hoje, ainda mais perigoso. País mais poderoso do mundo, hegemonia territorial – vamos esquecer aquele incidente com as torres e uns aviões anos atrás! – a maior (e mais desastrosa) economia. God save America!! Por que americanos mesmo são apenas aqueles que vivem no norte, falam em inglês e provém das 13 colônias. Não é como se América fosse todo um continente contando com 35 países, e nem como se a América do Norte fosse composta, também, pelo Canadá e pelo México! (Blé, um só tem gelo e o outro só tem nachos!)

Afinal, quem não quer ser American? Nós temos a Disney, Hollywood, New York, Fast-Food, Fast-Fashion e fast ways of getting into any wars, porque o Tio Sam não pode cheirar pólvora que fica todo animadinho.

Nós declaramos há muito tempo os direitos dos homens e dos cidadãos, mas não temos os honrado tão bem assim desde que foram escritos. É uma coisa na teoria e outra completamente diferente na prática. 

Homem nenhum é superior ao outro, não é um determinado território, língua, poder bélico e econômico que nos torna melhor que o outro e muito menos um tom de cabelo, olho e pele. O DNA é universal. Somos todos de Timina, Alanina, Guanina e Citosina, originados através de uma união de gametas e gestados por mais ou menos nove meses, nosso sangue é vermelho, nossas sinapses são induzidas por bombas de sódio e potássio, somos completamente iguais em termos biológicos, uns com melanina a mais, outros a menos, não importa, a formação foi a mesma, a ciência já provou. Nascemos e morreremos, como todos os outros. Não se julgue superior por ser parte de algum lugar X do planeta ou fala alguma língua específica, acredite. Superior mesmo é aquele que consegue ver o mundo e enxergar apenas seres humanos, seres de carbono, hidrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre, não deuses, não guerras e não lucros em potencial e sim pensadores, professores, artistas, arquitetos, médicos, engenheiros e milhares de futuros em potencial.

Minha opinião? Falem com estranhos.


Caos

Dêem cor minha vida com o caos. Não o rejeito. Rejeito tudo aquilo que está estático. Quero caos, movimento e dinamismo. Quero o mundo, suas alegrias e suas dores. Quero ser o bom, o mau e o feio. Quero a beleza na feiura e a feiura na beleza.

Que o tempo nos traga sabedoria e nos traga experiencia. Que o tempo nos traga sempre algo para correr atrás. Parar seria morrer. Quero estar viva.

Sou inquieta. Estou contra a corrente. Eu estou em chamas
E estou adorando.


7 heures du matin

Je me réveille plein de toi. Ton portrais et le souvenir de l’énivrante soirée d’hiers n’ont point laissé de repos à mes sens. Douce et incomparable Joséphine, quelle effet bizzare faite vous sur mon coeur ! Vous fâchez-vous ? Vous vois-je triste ? Êtes-vous inquiète ? mon âme est brisé de douleur, et il n’est point de repos pour votre ami… Mais en est-il donc davantage pour moi, lorsque, me livrant au sentiment profond qui me maîtrise, je puise sur vos lèvres, sur votre coeur, une flame qui me brûle. Ah ! c’est cette nuit que je me suis bien aperçu que votre portrait n’est pas vous ! Tu pars à midi, je te verai dans 3 heures. En attendant, mio dolce amor, reçois un millier de baisé ; mais ne m’en donne pas, car il brûle mon sang.

BONAPARTE, Napoleon to Josephine.